terça-feira, 29 de novembro de 2011

O livro no Brasil.


Oswaldo Siciliano

Pesquisa realizada nos USA sobre leitura e sua relação com o comportamento das pessoas, demonstrou que aqueles que leem: são melhores cidadãos – tem melhor rendimento nos estudos – são mais eficazes e tem mais habilidades de trabalho e em suas comunidades – tem menores índices de criminalidade.

Conforme dados trazidos pelo companheiro Siciliano, em palestra apresentada no Rotary Club São Paulo – Jardim América, na reunião realizada em 15 de agosto de 2011, depreendemos que cabe ao Rotary Club um importante papel na difusão do hábito da leitura entre as novas gerações.


Nosso país não havia sido descoberto e já por volta de 1493 Gutemberg inventou a imprensa e com isso tirou os livros manuscritos dos conventos e os colocou nas mãos do povo, que passou a ter acesso à informação, e democratizou a leitura. Entretanto, tendo em vista que as pessoas não sabiam ler nem escrever, obrigou os estados a criarem politicas de leitura e escrita, fazendo com que o analfabetismo começasse a diminuir. Mais adiante já foi possível saber quantos livros eram lidos por ano e quem sabia ler.


Podemos dizer que somente depois de 360 anos é que começa a história do livro no Brasil, que tem como data marcante o ano de 1808, com a chegada da família real, D. João VI trouxe a biblioteca real e criou a imprensa régia oficial. Nessa época, o livro era para privilegiados e desta forma sua democratização foi impossível. Logicamente o mesmo se aplicava à educação.


Assim sendo, o livro só conseguiu conquistar um espaço a partir de 1850, quando então o povo já podia utilizá-lo para sua educação e cultura em geral. Por mais de 100 anos o desenvolvimento da indústria editorial e o consequente hábito da leitura foi muito lento por razões econômicas e educacionais.


Até a segunda guerra mundial a modesta indústria editorial brasileira sofria a grande concorrência do livro editado em Portugal. A partir 1948 com o surgimento de novas editoras, o livro aqui editado começa a ter presença no mercado e já no ano de 1970 com mais de 250 editoras brasileiras conquista totalmente esse mercado e desde os anos 80 os livros editados em outros idiomas estão presentes centenas de vezes mais do que os livros editados em Portugal.


Na pesquisa realizada em 2008/09 pelo Instituto Pro-Livro diz:


Somos 96.600.000 leitores;
228.704.288 exemplares vendidos;
Faturamento 2.541.526.516,47;
O governo federal adquiriu e distribuiu graciosamente 25 por cento dessa produção;
Em 2099 foram lançados 22.027 títulos novos e reeditados 30.483 títulos.


A diversificação de títulos é enorme. Há mais de 4.000 itens. Hoje uma boa livraria tem mais de 250.000 títulos.


Numa população de 196 milhões de habitantes, 78 milhões não são leitores, não somente de livros, como também de qualquer outro tipo de publicação.


A nossa média de leitura é de 1,8 livros ano, o que é pouco em comparação com os países do primeiro mundo, onde a média oscila entre 8 a 12 livros ano e em alguns países, onde o inverno é muito rigoroso, chega a 18 livros ano. Mesmo em alguns países da América do Sul, a média é bem superior à nossa (Argentina – Chile – Colômbia – México).


Os dados apresentados sobre a nossa indústria editorial, se comparados aos países desenvolvidos, mostram que ela ainda é irrisória, principalmente se comparada com a produção dos Estados Unidos da América do Norte.


59% da população não gostam de ler, 41% gostam, mas só leem quando tem tempo; desses 41%, 75% sentem prazer ao ler livros e 25% leem por obrigação.


O primeiro livro impresso por Gutemberg foi a Bíblia, que na ocasião foi um sucesso e ainda hoje é o livro mais vendido e lido em todo o mundo.


Hoje, no Brasil, temos mais de 3.000 editoras que editam todos os segmentos da literatura, inclusive temos algumas que produzem livros para deficientes visuais e auditivos.


O preço do livro no Brasil é equivalente ao de todos os países. Convém ressaltar que preço é uma questão de escala de produção e que o poder aquisitivo do brasileiro é pequeno.


Há 5 anos o governo criou o plano nacional do livro e da leitura para coordenar ações que possam aumentar o hábito da leitura e fazer com que o Brasil se torne um país de leitores. Uma de suas metas é o aumento de bibliotecas em todo o país.


A partir do século 21 começa uma grande revolução no mundo literário; a do livro digital. E com essa revolução, também se está facilitando ainda mais o acesso à leitura e à escrita, portanto, o acesso à informação e ao conhecimento. Pesquisa realizada nos USA sobre leitura e sua relação com o comportamento das pessoas, demonstrou que aqueles que leem: são melhores cidadãos – tem melhor rendimento nos estudos – são mais eficazes e tem mais habilidades de trabalho e em suas comunidades – tem menores índices de criminalidade.


O conceito de livro eletrônico, no documento universal chamado “léxico do livro digital” é: “livro cujos dados foram digitalizados e estão disponíveis para consulta na internet ou para transferir a qualquer dispositivo que permita sua leitura”.


Livros digitais têm vantagens e desvantagens. Vantagens: o preço do livro diminuirá; a portabilidade; poderá conhecer toda a oferta editorial que hoje é impossível ver nas livrarias; as possibilidades de edição de títulos com nichos de mercado pequeno serão ampliadas. Para as editoras: não há custo de impressão – não há custo de fretes – não há armazenamento – não há livros não vendidos nem sobras. Desvantagens: os aparelhos leitores não são todos compatíveis e o software utilizado é diferente – o passo para o digital não será imediato pelas resistências de formação nos adultos – a dependência de energia – o risco de levar uma biblioteca portátil que pode ser facilmente perdida (esquecida no taxi, por exemplo) – a necessidade de investimento em tecnologia é muito alta e constante.


A irreversibilidade do livro digital é mundial, entretanto não significa o fim do livro impresso cujo encanto, praticidade e caráter lúdico continuarão determinando a preferência de bilhões de pessoas. O fato é que surgirá um consistente mercado de equipamentos para leitores eletrônicos, que cativarão grande parte dos mais jovens e isso fará com que, num prazo de 10 á 20 anos, o número desses leitores será maior em comparação ao dos livros impressos.


Recentes estudos revelam que os livros eletrônicos crescem mensalmente. Na Espanha, por exemplo, a metade dos leitores lê em suporte digital. Nos USA 25% consome livros eletrônicos e 15% só leem eletrônicos e deixaram totalmente de comprar livros impressos. Entre nós está ocorrendo o mesmo processo, porém não com a mesma velocidade. O avanço tecnológico ao livro é real e devemos recebê-lo como uma nova luz que se acende para torná-lo mais eficiente.


Pela primeira vez, agora em abril, as vendas de livros digitais superaram as de livros em formato brochura nos USA. A continuar assim, a expectativa é que em todo o mundo as estantes nas casas, escritórios e livrarias se tornarão obsoletas.



Reprodução do artigo publicado no blog Vida e aprendizado.A visão de um futuro melhor. do nosso companheiro de Rotary Jardim América, Benedicto Ismael C. Dutra